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Ética e regulação 1 min de leitura

Imparcialidade do terapeuta: o que o Código de Ética da RNTP estabelece

A imparcialidade é condição técnica antes de ser exigência ética. Entenda como ela se sustenta no setting terapêutico e o que o Código de Ética da RNTP determina sobre o tema.

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Administrador RNTP

Publicado pela equipe oficial da Entidade RNTP

Um dos equívocos mais frequentes entre profissionais em início de carreira é confundir neutralidade com frieza. A imparcialidade do terapeuta não é a supressão do afeto — é o cuidado metódico para que a transferência e a contratransferência não prejudiquem o processo do paciente.

O que diz o Código de Ética da RNTP

O Código de Ética em vigor desde março de 2018 estabelece, no Capítulo II, que o associado deve manter postura de respeito, sigilo e imparcialidade em relação a convicções religiosas, políticas, ideológicas, orientação sexual, identidade de gênero e classe social do paciente.

Esse princípio não significa ausência de posicionamento técnico — significa que o eixo do atendimento é o paciente, não a cosmovisão do profissional.

Três consequências práticas

1. A escuta antecede o diagnóstico

Antes de categorizar sofrimento com base em conceitos da própria escola, o terapeuta deve sustentar tempo suficiente de escuta para que o material clínico se apresente. Decisões prematuras tendem a replicar a visão de mundo do profissional.

2. Recomendações externas são mediadas

Indicar médico, advogado ou qualquer outro profissional é legítimo — mas a indicação precisa passar pelo filtro do benefício terapêutico, jamais pelo interesse comercial do encaminhador.

3. Supervisão é obrigação, não opção

A supervisão é o espaço onde o terapeuta percebe os próprios vieses. Um profissional que opera sem supervisão tende a projetar no paciente o que não foi elaborado em si.

O que fazer diante de um impasse

Quando o profissional identifica que não consegue sustentar imparcialidade em determinado caso — por motivo pessoal, religioso ou ideológico — o caminho ético é o encaminhamento responsável, com acolhimento e comunicação transparente ao paciente. O contrário disso é imprudência.

A imparcialidade é o que permite ao paciente falar o que ainda não foi falado — inclusive para si mesmo.

Associados da RNTP com dúvidas podem acionar a Central Jurídica ou submeter casos hipotéticos ao conselho de ética.

Tags:#ética#setting#supervisão#código de ética